

Recentemente, li sobre uma pesquisa liderada por Andrea Cipriani, da Universidade de Oxford, um estudo que avaliou a eficácia de medicamentos para depressão. O próprio pesquisador pondera que mesmo o medicamento mais eficaz não seria necessariamente a melhor primeira opção, e que as pessoas medicadas geralmente devem usá-los em conjunto com outros tratamentos psicológicos.
Este artigo é educativo e não substitui a orientação de um médico ou psicólogo. A ideia aqui não é dizer se você deve ou não tomar antidepressivos, e sim apresentar informações e recursos complementares que muitas pessoas ainda não conhecem. Se você está em sofrimento, procure ajuda profissional. Para entender melhor o quadro antes de buscar tratamento, vale ler sobre a diferença entre ansiedade e depressão, escrito pelo psicólogo Gustavo Garrido.
O poder de uma sugestão


A maioria dos professores, pais e médicos não percebe que a forma de transmitir uma mensagem pode, muitas vezes, influenciar quem ouve, por causa da autoridade que têm naquele contexto. A pesquisadora Kathleen Cotton publicou, em 1989, uma análise sobre o peso das expectativas de escolas e professores sobre os alunos. O que ela sugere é que acreditar na capacidade de aprendizado de todos é fundamental para o desenvolvimento dos estudantes.
Algo parecido acontece todos os dias entre médicos e pacientes. Você deve, sim, escutar as autoridades no assunto, porque todas as profissões da saúde têm seu valor e existem para nos ajudar. Ao mesmo tempo, vale manter consciência sobre as próprias crenças e expectativas, sempre dentro da orientação profissional.
O que são antidepressivos


Antidepressivos são medicamentos psiquiátricos que agem no sistema nervoso. Sua função é regular e normalizar os fluxos de neurotransmissores para reduzir os sintomas do transtorno. É importante lembrar que esses medicamentos não “deixam a pessoa mais feliz” nem curam por si só: o que fazem é controlar o quadro e ajudar a estabilizar o humor. Uma pessoa sem depressão não ficaria mais feliz ao tomá-los.
Os antidepressivos vendidos no Brasil somam milhões de unidades por ano, e esse número vem crescendo. No estudo coordenado por Cipriani, os medicamentos foram comparados quanto à eficácia, mas o próprio autor reforça que isso não significa que devam ser a primeira opção de tratamento, e que costumam funcionar melhor combinados a acompanhamento psicológico.
Existem diferentes classes de antidepressivos, cada uma com um mecanismo de ação. Entre as mais conhecidas estão:
- Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS), como sertralina e fluoxetina.
- Inibidores da recaptação da serotonina e da norepinefrina, como desvenlafaxina e duloxetina.
- Antidepressivos tricíclicos, como imipramina e amitriptilina.
- Inibidores da monoamina oxidase, como isocarboxazida e fenelzina.
- Antidepressivos noradrenérgicos e específicos serotoninérgicos, como mirtazapina e mianserina.
Cada medicamento pode causar efeitos colaterais, que variam de pessoa para pessoa: náusea, alteração no sono, tremores, dor de cabeça, tontura, boca seca, fadiga, mudança de apetite e peso, entre outros. Por isso, a escolha e o ajuste do remédio são responsabilidade exclusiva de um profissional. O acompanhamento de um psiquiatra é indispensável, e nenhuma informação deste texto substitui essa avaliação.
Soluções que podem complementar o tratamento


Importante: estas ideias jamais devem passar por cima das indicações do seu médico. Só o profissional que acompanha você pode decidir sobre iniciar, manter ou interromper qualquer medicação. O que segue é um recurso educativo de autocuidado, para somar ao tratamento, não para substituí-lo.
Muita gente ainda não percebe o quanto a forma como pensamos influencia como nos sentimos. Imagine que alguém entra na sua casa sem permissão e risca a parede, deixando-a feia. Mesmo sem culpa, você não conviveria com aquilo todos os dias: faria o que fosse preciso para deixar a parede do jeito que quer. Se tivéssemos o mesmo cuidado com a nossa mente, muitos sofrimentos seriam mais bem cuidados.
Da mesma forma que cuidamos da casa, podemos aprender a cuidar do nosso mundo interno: observar quais pensamentos produzem tristeza, ansiedade ou medo, e trabalhar para transformá-los. Com algumas das ferramentas usadas na PNL, esse processo de autorregulação fica mais acessível, sempre como apoio ao acompanhamento profissional.
Pra aplicar agora
Cuidando do mundo interno
Um exercício simples de autocuidado para fazer com calma, como complemento (nunca substituto) do seu tratamento:
- Perceba o que te deixa mal: que pensamento ou imagem aparece antes de você se sentir triste ou ansioso?
- Tome o controle: imagine essa cena negativa do tamanho de uma moeda, em preto e branco, e afaste-a de você.
- Mire no que você quer: pergunte-se como gostaria de se sentir e pelo que é grato hoje.
- Torne o mundo interno mais agradável: visualize-se mais tranquilo, com imagens boas mais claras e coloridas.
Exercício educativo, não substitui acompanhamento profissional. Em momentos de crise, ligue para o CVV (188), 24 horas e gratuito.
Como a PNL ajuda no cuidado emocional


Sentir-se bem é, em parte, uma habilidade. Assim como andar de bicicleta ou dirigir, estados como calma, relaxamento e bem-estar tendem a ficar mais acessíveis quanto mais são praticados. A Programação Neurolinguística trabalha exatamente os padrões de pensamento e linguagem interna que influenciam as emoções, oferecendo recursos de autorregulação que podem caminhar ao lado do tratamento clínico.
Vale reforçar: cultivar comportamentos que favorecem o bem-estar é um apoio, não uma cura, e não substitui medicação ou terapia quando há um diagnóstico. A SIPNL (Sociedade Internacional de PNL) é a maior referência brasileira de Programação Neurolinguística, com formação na linhagem direta de Richard Bandler, criador da PNL, e enxerga essas ferramentas sempre como complemento ao trabalho dos profissionais de saúde.
Perguntas frequentes
Antidepressivos são um mal necessário?
Os antidepressivos são uma ferramenta importante e, em muitos casos, indispensável, mas a decisão sobre usá-los é sempre médica. O estudo de Oxford mostra que eles funcionam melhor combinados a acompanhamento psicológico. Não há resposta única: cada caso exige avaliação individual de um psiquiatra.
A PNL pode substituir o antidepressivo?
Não. A PNL e outros recursos de autocuidado podem complementar o tratamento, ajudando na autorregulação emocional, mas nunca substituem medicação ou terapia. Qualquer mudança no uso de remédios deve ser decidida exclusivamente pelo seu médico.
Quando devo procurar ajuda?
Sempre que a tristeza, o desânimo ou a ansiedade estiverem intensos ou persistentes e atrapalhando o seu dia a dia. Depressão é uma condição de saúde e merece acompanhamento. Em momentos de crise, procure um profissional e ligue para o CVV (188).
Se você está enfrentando a depressão, não passe por isso sozinho. Procure um psiquiatra ou psicólogo e siga sempre a orientação médica. Em momentos de crise, ligue para o CVV (188), atendimento gratuito e sigiloso 24 horas por dia. Como apoio complementar ao tratamento, o psicólogo e hipnoterapeuta Gustavo Garrido atende, de forma 100% online, pessoas que buscam acalmar a mente diante da ansiedade e do desânimo.